Roteiro de estudos: Atualidades |Por que o preço do petróleo está em queda? E por que eu preciso saber disso?

Não só quando vamos aos postos de gasolina estamos diante de derivados do petróleo, praticamente todos os dias, em quase todos os lugares e nos produtos mais inusitados há uma parcela do “ouro negro”. Isso não é bem uma novidade, todos nós sabemos da importância do petróleo e temos consciência de algumas implicações a partir disso, mas para o vestibulando é fundamental ter a noção clara e até detalhada de por onde andam os tentáculos dessa fonte de energia, sobretudo como uma variável nas questões geopolíticas.

Além disso, desde 2014 o preço desse recurso está em queda, passando de $104 para $33 no começo de 2016. É necessário que compreendamos o porquê e quais as consequências dessa conjuntura econômica.

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1. Os motivos para a queda no preço

Há muitas razões, mas vamos analisar as principais:

–  Investimento e aumento da produção

No início dos anos 2000, o preço do petróleo vinha em crescimento. Era, então, um dos produtos mais rentáveis. Isso levou muitos países a investirem para o aumento da produção nos últimos anos, dentre esses estão os Estados Unidos da América. Parte da produção estadunidense está no Alasca e outra parte do investimento foi para o petróleo de xisto. Quanto mais dinheiro, mais produção e quanto mais produção, menor o valor. É a famosa lei da oferta e da procura. Além dos EUA, Canadá, Iraque e Arábia Saudita têm mantido seus investimentos altos.

– Redução do consumo motivada pela diminuição do ritmo econômico global

A despeito do crescimento da produção, a economia ainda sofre os impactos da crise de 2008 e não tem o mesmo ritmo que anteriormente. Dessa forma, o consumo dessa fonte de energia retraiu nos últimos anos.

– O posicionamento da Arábia Saudita no mercado

A Arábia Saudita é importante produtora desse recurso e usa disso na sua estratégia geopolítica em diversas frentes:

Mantendo os preços baixos, a Arábia Saudita prejudica o Irã e, além disso, atinge a Rússia, país aliado do governo sírio (lembre-se que a Arábia Saudita se posiciona ao lado de alguns grupos rebeldes contrários a Bashar Al-Assad).

Ademais, os preços nada atrativos diminuem os investimentos de novos produtores, como os Estados Unidos com o petróleo de xisto (o que não seria nada interessante para a Arábia, já que os EUA são um importante comprador do petróleo saudita).

– A nova estratégia da OPEP

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, surgiu como um cartel regulador do preço do petróleo. Entretanto, nos últimos anos, vem mudando sua estratégia: no lugar de manter o preço na sua margem favorável, nem alto demais, nem baixo demais (ou a depender da situação geopolítica, lembre-se do Primeiro Choque do Petróleo), a organização não diminuiu a produção, deixando o preço baixo, assim desestimulando outros investidores.

– O fortalecimento do dólar e o cenário instável dos investimentos

Nos últimos meses o dólar segue fortalecido, o que enfraquece o mercado, pois o petróleo é negociado em dólar, então a moeda acaba por encarecer as transações.

Além disso, a saída do Reino Unido da União Europeia colaborou para esse cenário e reforçou que não há sinais de melhora nesse mercado, pois os investidores estão evitando riscos nesse momento, preferindo investimentos mais estáveis que o commodity.

 

2. Consequências da queda

– As economias pouco diversificadas sofrem muito com a queda

Algumas economias dependem quase que exclusivamente da exploração de recursos energéticos. É o caso da Rússia e da Venezuela, mais a segunda do que a primeira, entretanto, as duas economias têm suas bases nessa fonte. Dessa forma, os dois países sofrem com a queda. Sobretudo a Venezuela, que já vem em uma crise política e social, agravada agora pelos aspectos econômicos.

– Desestímulo à busca de fontes limpas de energia

Há, também, a perspectiva de que o valor baixo do petróleo desestimule a busca global por fontes de energia mais limpas. Apesar dos discursos de sustentabilidade, economia visando o futuro, ainda são tímidos os esforços das nações em alternativas nesse setor.

– Impactos no Brasil

Claro que temos um cenário marcado pela corrupção na Petrobrás, entretanto o valor do petróleo atualmente reforça a crise. Para citar um exemplo, algumas cidades como Itaboraí (Rio de Janeiro) viviam na expectativa de um crescimento impulsionado pelo petróleo. Entretanto, pela conjuntura nacional e internacional, a refinaria nem pronta está. Ademais, todo estado do Rio de Janeiro também sentiu o impacto da queda.

 

3. O ‘mercado negro’ do petróleo

Para além de um jogo de palavras, há mesmo um mercado negro do petróleo. Atualmente, há quem compre petróleo e financie o autodenominado Estado Islâmico. Além disso, essa fonte acaba por financiar a compra de armas em alguns países.

Dessa forma, não só o preço do petróleo interfere na geopolítica, mas também os atores, importadores e exportadores, e para onde vai o dinheiro movimentado nesse setor.

Assim, por todos os pontos aqui levantados nos parece claro que o petróleo não é um recurso do passado, como diziam algumas análises do começo dos anos 2000, mas sim uma importante variável geopolítica. E, por isso, deve ser motivo de estudo por parte dos vestibulandos. Esperamos que esse texto tenha ajudado e, caso tenha restado alguma dúvida, por favor, comente. Se isso foi útil para você, repasse o conhecimento.

 

 

Por Aline Gomes | Professora de Geografia e Atualidades do Personal Educa.

 

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