É uma cilada continuar apostando as fichas no Enem, em 2019? Ainda não, Bino!

Passado o período de inscrições para o Enem 2019, temos uma constatação sobre o clima pré-universitário deste ano:  com pouco mais de 6,3 milhões de inscritos, o Enem 2019 registra o menor número de inscrições desde 2011.

É fato que houve, sim, um aumento no valor da inscrição (de R$3) em relação ao ano anterior, mas é pouco provável que essa seja a causa direta do baixo número de inscritos. O que esses dados apontam é que estamos enfrentando um momento de insegurança e incerteza sobre os rumos do ensino superior público e de qualidade em nosso país, devido, principalmente, aos graves cortes recentemente anunciados pelo Governo Federal e a forte tendência de se estabelecer uma cultura de desinteresse e desrespeito às Instituições Federais de Ensino de nosso país.

No entanto, o objetivo desse texto, diante de tudo o que foi posto até o momento, é de trazer luz à situação atual e esperança para esses mais de 6 milhões de inscritos de persistirem no caminho do ensino superior público de qualidade, fazendo cumprir o direito do cidadão e o dever do Estado brasileiro.

“Beleza, Renan. Tô contigo! Me inscrevi, vou fazer a prova, mas continuo inseguro. Então, o que esperar da prova do Enem em 2019?”

Indo direto ao ponto, não há motivos para nos preocuparmos com mudanças muito significativas na prova deste ano. O edital do Enem, lançado em março de 2019, traz novidades para o processo de inscrição (como você, provavelmente, deve ter percebido) e para a diagramação das provas, que passa a ter espaços para rascunho de cálculos e redação.

Estruturalmente é isso. Continuamos com uma prova de 180 questões, dividida em 2 dias, sendo disponibilizado o tempo de 5h30 para o primeiro dia e 5h para o segundo.

Tá, eu sei que você ainda deve estar inseguro sobre essas afirmações, por isso vou ter dar

3 motivos para você seguir confiante nos seus estudos para essa provinha que você considera pacas há alguns anos 

O primeiro motivo é o edital, como já mencionado. O edital de um processo seletivo ou concurso público é um documento oficial que discrimina todas as etapas de uma prova, trazendo informações gerais sobre as inscrições, métodos de avaliação, estrutura da prova e tantas outras informações importantes. Qualquer atividade realizada que fuja do previsto no edital daquela prova, torna passível a contestação e o cancelamento da mesma. Por isso, se o edital do Enem 2019 não traz nenhuma mudança significativa em relação as provas anteriores, não há motivos para se preocupar.

O segundo ponto que gostaria de abordar é sobre o banco de questões do Enem ou o Banco Nacional de Itens (BNI). A prova do Enem é elaborada pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), uma autarquia do Governo Federal e que tem como um dos objetivos o desenvolvimento e a implementação de processos de avaliação, estatísticas e indicadores na área da educação (Fonte: Nexo Jornal). As questões do Enem, elaboradas por professores colaboradores do INEP, passam por um rigoroso e sigiloso processo de avaliação, em que se analisa se os critérios de avaliação da prova (competências e habilidades) foram atendidos e se estão de acordo com as matrizes de referência da prova, sendo este o terceiro motivo da minha argumentação. Dessa forma, todas as questões precisam corresponder aos objetivos da matriz de referência do Enem e esse documento também não teve alterações oficiais. Quando uma questão elaborada pelo INEP cumpre todos os requisitos de avaliação ela fica disponível no BNI, podendo ser escolhida aleatoriamente para compor uma prova.

Por esses motivos apresentados, reafirmo que não há tempo hábil para mudanças significativas e que podemos seguir nossas rotinas normalmente, pois todos os documentos oficiais (edital e matrizes de referência), que nos asseguram as características relevantes da prova, já foram liberados e não apresentam alterações.

Bom, então não existe nada com o que devo me preocupar? Mais ou menos.

Sobre a Comissão de Avaliação dos Conteúdos das Questões do Enem

Para entender o objetivo dessa Comissão é necessário contextualizar a motivação de sua criação, o que nos leva à prova do Enem 2018.

Naquele ano, a prova trouxe uma questão dentro do caderno de Linguagens, em que, para avaliar o conhecimento do candidato sobre quais características da língua de um grupo social são necessárias para considerá-la um dialeto, utilizou-se do Pajubá (dialeto LGBT) como exemplo. Imediatamente, o então presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez duras críticas a prova do Enem, considerando-a “ideológica” e “doutrinária” e que, em seu governo, tomaria conhecimento da prova antes para evitar questões desse tipo. (se você leu esse trecho com a voz mental do Bolsonaro, você leu certo, talquei?!)

Em março de 2019, o MEC anunciou os membros desta Comissão, composta pelo presidente do INEP (que é nomeado pelo MEC) e por 2 pessoas também indicadas por esta pasta. Todos alinhados ao mesmo discurso da existência de uma escola “doutrinadora” e “ideológica”. Segundo o MEC, o objetivo dessa Comissão é “avaliar se as questões do Enem têm pertinência com a realidade social”.

Dessa forma, levando em consideração todo o contexto apresentado, fica evidente que haverá sim uma escolha nem tanto aleatória das questões de Ciências Humanas e Linguagens, de modo a eliminar da prova questões que tenham um cunho “marxista” ou “esquerdista”, como mencionado pelo membros da Comissão. Sendo assim, essas são de fato as mudanças mais significativas que poderemos encontrar na prova de 2019, mas devemos lembrar que todas as questões devem ser retiradas do BNI e devem atender a matriz de referência do Enem.

Para finalizar, reitero que, apesar de toda confusão e das duras medidas do Governo Federal contra as Instituições Federais de Ensino, devemos manter o foco e o planejamento que tínhamos para o ano. Então, se o Enem é uma prova importante para você, mantenha o foco, pois não há motivos (pelo menos evidentes ou coerentes) para mudar tudo agora.

É isso. Bons estudos! E seguimos, com votos de “amanhã vai ser outro dia” 🙂

assinatura blog

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *