OS MOVIMENTOS DO 15 DE MAIO E PORQUE O PEDU FEZ PARTE DISSO

No final do mês de abril de 2019, o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou um corte de verbas de 30% em todas as Universidades Federais, que totalizavam, em dinheiro, R$ 2 bilhões. Algum tempo depois, o próprio ministro, junto ao presidente Jair Bolsonaro, na intenção de explicar publicamente os cortes anunciados, gravou um vídeo em que ele pegava, de um total de 100 “chocolatinhos” (sic), apenas três e meio. Ou seja, segundo Weintraub, essa analogia dos doces queria representar que o corte do ensino superior seria de apenas 3,5%, e não os já anunciados 30%. Vamos entender um pouco melhor toda essa conta maluca feita pelos representantes do governo.

A conta

Segundo Weintraub, o corte de R$ 2 bilhões é referente às despesas discricionárias, ou seja, despesas referentes ao custeamento do funcionamento das universidades (como água, luz, telefone, internet, serviços terceirizados, etc.), além do custeamento de pesquisas (como compra de materiais, financiamento de bolsas, etc.). O valor de R$ 2 bi representa 30% do total da verba destinada para esse tipo de despesa.

O outro tipo de despesa que existe nas universidades federais são as despesas vinculadas, de pessoas/funcionários, ou seja, despesas relacionadas aos salários dos docentes, às aposentadorias, e a outros pagamentos de funcionários em geral. Em resumo, as despesas vinculadas e as despesas discricionárias formam, juntas, 100% do orçamento das federais. A primeira tem o valor total de R$ 42,3 bi, enquanto a segunda, o valor total de R$ 6,9 bi.

Os R$ 2 bi de corte foram retiradas sobre os R$ 6,9 bi e representando 30% deste e 3,5% do total, somando ambas. Porém, o que o Ministro da Educação acabou por “se esquecer” de comentar é que o MEC controla apenas a planilha de gastos discricionários, ou seja, dentro do valor que eles de fato são responsáveis, Weintraub está de fato cortando 30%, e o número de 3,5% é apenas uma forma de ilusão.

A importâncias dos 30%

As Universidades Federais não conseguem funcionar sem esses 30% do orçamento discricionário. São gastos de energia, luz e água, por exemplo, que fazem com que a Universidade funcione; várias federais já anunciaram que só conseguiriam se manter abertas e funcionando até setembro com a verba que restou. Todos os laboratórios, centros de pesquisas e, obviamente, salas de aula, precisam de energia, bem como os alunos precisam de água (coisas que parecem óbvias, mas que precisam ser reforçadas em tempos como os de hoje).

Além disso, o cerne do ensino superior público são as pesquisas, é justamente o setor desta instituição que mais traz retorno para a sociedade, com pesquisas sobre como melhorar alimentos industrializados, como tratar doenças raras ou baratear medicamentos, como melhorar metodologias de ensino na educação básica, entre tantas outras formas da Universidade retornar para a sociedade o próprio dinheiro público que nela é investido (e não gasto, como o próprio presidente já falou algumas vezes).

Ou seja, não são “apenas três chocolatinhos e meio”, como anunciou o ministro. São cortes que mexem com parte estrutural e básica da existência da universidade pública, gratuita e de qualidade.

O Pedu no #15M

E, justamente, pensando nisso tudo que o Personal Educa criou uma agenda especial no dia 15 de maio de 2019, para que os alunos em fase pré-universitária compreendessem o que representa esse corte e a importância de exercer o direito democrático de greve e manifestação.

Durante a nossa agenda, neste dia, tivemos a exibição do documentário “Nunca me sonharam” (2017) que apresenta a situação do Ensino Médio público brasileiro e a realidade de seus estudantes em relação ao Ensino Superior público. Este documentário foi disponibilizado a partir da plataforma de streaming Videocamp, cuja proposta é justamente gerar espaços de cine-debate voltados exclusivamente para a educação.

Após esse debate, os alunos se reuniram em uma roda de conversa com o professor Júlio Torres, diretor eleito da Unesp de São José do Rio Preto, com os representantes discentes do Diretório Acadêmico da Unesp de São José do Rio Preto, Bianca Barbosa e Gustavo Rodrigues, e com o representante da pós-graduação em Biociências da Unesp de São José do Rio Preto, Danilo Grunig. Ambos debateram como esse corte afeta não só as Federais, mas também as Estaduais, e ajudaram a jogar luz na importância de se debater e se manifestar acerca da temática da educação.

Por fim, foi realizado uma oficina de elaboração de cartazes para que os alunos pudessem expressar suas opiniões, anseios e demandas quanto à pauta do movimento estudantil. Então, foram todos juntos para a praça da agência central dos correios, no centro de São José do Rio Preto, e depois seguiram a pé, em passeata, até a Câmara dos Vereadores. Lá ouviram Centros Acadêmicos das universidades da cidade falarem (Famerp e Unesp), bem como docentes, secundaristas e funcionários.

Um opinião

 

Para Ana Júlia Brito (19 anos), uma das nossas alunas presente no ato #15M, exercer seu poder político, a liberdade de expressão e o espaço para debates são os fatos que mais mexeram com ela. Ainda segundo a Ana, “esse sentimento de estar fazendo algo, não estar no comodismo” é algo muito importante, por conta de ser uma luta grande, ainda mais por ver uma multidão não apenas em Rio Preto, mas também no país todo, e saber que “tem gente que se importa sim com a educação pública, com uma educação que seja de qualidade e que seja para todo mundo, e que seja uma coisa sem privações de ideias, ou seja, sem opressão nenhuma, onde as pessoas possam falar o que quiser pois elas estarão seguras”.
Além disso, a Ana reforça que esses atos são importantes “para mostrar o que a gente quer, enquanto população, mostrar o que o povo quer, porque, as vezes, eu acho que os nossos governantes esquecem os motivos pelos quais eles estão lá, então devemos estar na rua para mostrar para lembrar eles disso”. Os pais da Ana participaram das Manifestações também.

Ana Caroline Antunes de Souza (18 anos), outra aluna do Pedu que participou do #15M, diz acreditar que as manifestações foram importantes para a geração dela, uma vez que esta “milita muito na internet e nas redes sociais, e é importante demonstrar que não é só isso, que a gente sabe se posicionar na rua, se organizar e realmente estar na rua”.

Já sobre a importância do ato para a educação e no atual contexto educacional brasileiro, Carol diz: “no dia do ato, o presidente havia chamado os manifestantes de ‘idiotas’, e a manifestação foi importante para mostrar pro governo que não somos idiotas e que estamos defendendo nosso ponto. Sabemos nos organizar, ainda mais contra um governo que tenta causa um certo sentimento de medo de repressão e que tem uma vertente mais autoritária. Por isso que eu acho importante as pessoas irem para a rua exercerem a democracia”.

E é isso pessoal, nem só de provas vive o vestibulando! Acreditamos que o momento pré-universitário é uma etapa formativa e de exercício da cidadania importantíssimas na vida do adolescente.

 

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