Roteiro de Estudos de Atualidades | Saiba como Brexit pode aparecer no seu vestibular

O referendo do dia 23 de junho de 2016, no Reino Unido, que diz respeito à permanência do país na União Europeia é manchete no mundo todo. Qualquer que seja a decisão, esse tema é um prato cheio para as bancas de vestibular, pois envolve vários conceitos da Geografia e da História e, também, as atualidades. Pensando nisso, criamos esse guia de estudos sobre o assunto com os principais tópicos envolvendo o Brexit (British – britânico; exit – saída).

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Antes de começarmos cada tópico, fique atento:

– O Reino Unido é formado pela Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia (essa última votou pela permanência no Reino Unido em um referendo o ano passado);

– 50 milhões de pessoas estão aptas a votar, entretanto o voto não é obrigatório;

– Em 1975 aconteceu outro plebiscito, em que decidiram continuar no então Mercado Comum Europeu.

– O Reino Unido nunca adotou a moeda comum do bloco, o Euro.

– Também não participam do acordo de livre circulação, Schengen.

 

Agora vamos aos pontos que os vestibulares podem trazer este ano:

1. Histórico e principais pontos da União Europeia

Atualmente, a União Europeia conta com 28 países-membros. Entretanto, um embrião da UE tem sua data de fundação em 1951 com apenas seis países: Alemanha, Bélgica, França, Itália Luxemburgo e Países Baixos, era a então Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Há um longo processo até a UE que conhecemos hoje. Em 1957, a partir do Tratado de Roma, surge o Mercado Comum Europeu, em que a livre circulação de pessoas, de mercadorias e de serviços é estabelecida.

Já em 1972, há o estabelecimento de uma política de controle para permitir a futura integração monetária através do Euro, o que só aconteceria efetivamente em 1999. Aliás, vale falar um pouco mais sobre a moeda comum. Inicialmente 11 Estados-Membros aceitaram o euro como moeda oficial, hoje são 19 países. Sua introdução foi progressiva na tentativa de amenizar os impactos, portanto foi utilizada primeiro nas operações virtuais e somente em 2002 apareceu como moeda física.

Em 1993 entra em vigor o Tratado de Maastricht, que estabeleceu a União Europeia. Assim, há uma ampliação do Parlamento e novos pontos de cooperação. Atuando em diversos setores: combate ao crime organizado, meio ambiente, educação, defesa do território, etc.

Outro acordo histórico para o bloco é o Tratado de Lisboa de 2007, que estabelece uma série de diretrizes e mudanças, dentre elas a aprovação de projetos por maioria dupla, ou seja 55% dos países-membros (desde que somem ao menos 35% do total de habitantes do bloco), já questões relativas à segurança e adesão de novos membros dependem do consenso.

É importante notarmos que o bloco todo sofreu com a crise econômica de 2008, entretanto, cada país sentiu a crise de uma forma, a depender de sua dívida pública. Como bloco econômico, alguns custos desse momento foram compartilhados entre países-membros, dividindo opiniões.

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2. O Reino Unido deve continuar na União Europeia?

É esta a pergunta que os britânicos precisam responder no próximo dia 23. As pesquisas indicam uma proximidade entre os lados: brexit (na prática, sair da UE) e remain (permanecer na UE), além de uma porcentagem de indecisos. Os dois lados faziam intensas campanhas, entretanto, recentemente interromperam suas ações por ocasião da morte da deputada britânica Jo Cox, que foi atacada a facadas e tiros. Apesar do caso seguir em investigação, há suspeita de motivação política.

 

Alguns argumentos para a saída:

– Os custos da crise desacelerariam o bloco;

O socorro aos países que mais sofreram com a crise de 2008 é um argumento aos que querem a saída do bloco. Alegam que os custos da irresponsabilidade fiscal dos outros são altos demais e seria uma injustiça essa partilha.

– Os refugiados

Dominic Cummings, um dos diretores da campanha Vote Leave (Vote pela saída) fez uma infeliz postagem xenófoba em seu Twitter, alegando que “nada impede que os agressores sexuais venham ao Reino Unido, considerando que eles obtiveram a nacionalidade alemã”. Portanto, a questão dos refugiados está no centro das discussões, soma-se a isso a sensação de insegurança gerada pelos últimos atentados de Paris e de Bruxelas.

– A economia

Alguns alegam que o bloco engessa as questões econômicas, não permitindo efetivamente um livre comércio. Dizem que há uma regulação extrema e que isso prejudica o desenvolvimento econômico do reino.

– Supranacionalidade

O Parlamento Europeu, segundo os defensores da saída, interfere em muitas questões nacionais, dessa forma, diminui a importância do reino.

Alguns argumentos para a permanência:

– Comércio e diminuição de taxas com o restante da Europa;

O mesmo argumento está presente nos dois lados, mas com análises diferentes. Se os que optam pela saída dizem que a União Europeia engessa a economia, os que escolhem a remain dizem que o comércio com a Europa com taxas facilitadas movimenta a economia. Como exemplo, temos a City, o setor de finanças, que tem benefícios nos mercados europeus. Além disso, há cerca de 800 mil empregos que dependem dessa relação com o bloco.

– Direitos sociais

As organizações de assalariados afirmam que a União Europeia é a garantia dos direitos sociais.

3. Resumindo

Apesar das pesquisas, é impossível apostar em um dos lados. Entretanto, essa votação joga um holofote no bloco e gera debates sobre supranacionalidade e seus impactos. Qualquer lado que vencer nas urnas trará consequências grandes para toda Europa.

Caso haja o divórcio, a União Europeia teme que outros países também optem pela saída e assim o bloco ficaria enfraquecido. Caso haja um reafirmar de votos entre Reino Unido e União Europeia, é possível que alguns pontos básicos desse bloco sejam revistos. Essas são algumas possíveis consequências, entretanto é impossível prever toda a repercussão desse referendo.

Sem pensar agora nos resultados, você, vestibulando, deve procurar compreender a teoria de blocos econômicos, o histórico e funcionamento da União Europeia (resumido no tópico 1 deste texto) e saber os argumentos para saída e para a permanência do Reino Unido (parte 2 deste texto).

Esperamos que todo o conteúdo seja útil para você. Caso tenha alguma dúvida ou sugestão, por favor, nos mande!

 

 

Por Aline Gomes | Professora de Geografia e Atualidades do Personal Educa.

 

 

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