Todo ponto de vista é a vista de um ponto

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O que você vê quando olha para a imagem acima? Qual dos dois cubos você enxerga à frente no primeiro momento?Blog_TextoEtienne_ImagemInicial3

Volte ao desenho inicial, percebe que quando você enxerga um lado do cubo à frente, perde a perspectiva do outro?

O que mudou quando você passou a ver o cubo da outra forma? Algum traço do desenho se modificou? Não, os traços permaneceram os mesmos. O que mudou então? Mudou o posicionamento da sua mente, a perspectiva a partir da qual você viu.

Então, se ao mudar a perspectiva interna o desenho muda, quer dizer que o desenho não é sempre o mesmo para nós? Exatamente! O desenho do cubo, assim como tudo que observamos no mundo como objetos externos, é observado e surge como se fossem realidades separadas e independentes de nós, mas na verdade a forma como eles surgem e se mostram são interdependentes do nosso olhar e da nossa perspectiva.

Perceber essa interdependência é fácil em alguns momentos, como nessa brincadeira do cubo ou em momentos de emoção intensa, como em dias de grande alegria ou grande tristeza, em que o sentimento que nos toma transborda nitidamente para o ambiente ao nosso redor. Entretanto, no dia a dia, nos falta essa liberdade interna de perceber que é indissociável o que eu vejo de como eu vejo, de quem eu sou.

Cultivar essa liberdade do olhar nos ajuda a entender que o respeito ao mundo do outro é fundamental, já que ele vê e sente as coisas de forma diferente da nossa. Não é interessante, por exemplo, fixarmos as pessoas em certos comportamentos equivocados que elas tenham cometido, pois dá mesma forma que ela expressou esse comportamento, em outras circunstâncias e condições ela pode expressar sentimentos e atitudes extremamente positivas, desde que se abra para isso. Ao fixarmos o outro a partir do nosso olhar e do nosso julgamento, além de limitar a relação que podemos ter com ele, trancamos a possibilidade dele se manifestar de outra forma.

Perceber que a todo o momento essa liberdade interna está presente, e que podemos sempre aprimorar a nossa relação com o mundo a partir de dentro, é um passo fundamental no processo de autoconhecimento. Esse processo precioso passa por compreender os fatores que nos influenciam, as emoções que nos sensibilizam, os desejos que nos movem, os medos que nos paralisam, enfim, o que motiva e sustenta a nossa ação no mundo.

Sobretudo, reconhecer como nossos fluxos internos, de pensamentos e sentimentos, influenciam a nossa experiência no mundo, nos ajuda a fortalecer a motivação de desenvolver meios hábeis para ter mais equilíbrio e estabilidade frente a eles. Com liberdade no olhar e equilíbrio interior, podemos caminhar no mundo de forma mais lúcida, harmônica e pacífica, abertos à impermanência e inconcretude de nossas visões limitadas de mundo.

LEGENDA ETIENNE

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