TURQUIA: peça fundamental no xadrez geopolítico

A Turquia (ou Peru, se você é redator do Estadão) é uma possibilidade para o vestibular já faz alguns anos, sobretudo pela sua tentativa, iniciada em 2005, de entrar na União Europeia. Nos últimos anos, outros temas acrescentam na probabilidade dessa região aparecer nas provas: a questão curda, a crise imigratória, o combate ao Estado Islâmico e a situação dos Direitos Humanos.

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Então vale a pena estudar com atenção esse tema, aqui vão sugestões de abordagem:

 

  1. O papel da Turquia na crise imigratória

A região é uma das rotas e também um dos destinos do principal fluxo migratório da atualidade. Por isso, o país pode aparecer relacionado a estratégia de contenção e também tratamento dos imigrantes.

Para compreender um pouco da situação podemos olhar cidades como Izmir, na costa mediterrânea, que é uma das principais bases para a migração para a Europa. Segundo a BBC, a economia local passou por uma transformação do comércio de artigos turísticos para o comércio de itens de segurança no mar, como salva-vidas.

Além disso, a contenção de imigrantes tem sido debatida pela União Europeia e a Turquia. Muitas peças estão em jogo nessa discussão: o valor da ajuda financeira, o plano de contenção e a possibilidade de o país finalmente entrar para o bloco europeu.

 

  1. A relação com o povo curdo

Não são apenas duas letras que separam os curdos dos turcos. Os curdos são uma etnia, caracterizam o maior povo sem um Estado próprio e vivem principalmente na região da Turquia, Síria, Iraque e Irã. As relações entre a Turquia e o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK) são instáveis e ambos viviam, desde 2013, um acordo de cessar fogo. O acordo foi rompido em julho do ano passado, após as eleições parlamentares que deram maioria ao Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, turco). Centenas de pessoas já morreram pelas ações dos dois lados.

Além disso, o PKK é considerado uma organização terrorista por inúmeras listas internacionais. Entretanto, é importante notar que o conceito “terrorista” é muito “fluido” e não tão preciso quanto imaginamos. Considerar um grupo como terrorista ou não depende de seu posicionamento no xadrez geopolítico. Recentemente, um ramo do PKK com auxílio estadunidense derrotou um importante avanço do Estado Islâmico, passando, assim, mesmo que momentaneamente, de terroristas a aliados.

 

  1. A deterioração dos Direitos Humanos no país

Esse tópico pode ser subdividido em muitos assuntos, pois a situação dos Direitos Humanos na Turquia, segundo relatório da Anistia Internacional, está se deteriorando em muitos pontos.

Destaco, primeiramente, a questão da liberdade de expressão. Durante a madrugada do dia cinco de março, a polícia turca invadiu a redação do maior jornal do país, Zaman, gerando protestos da população e repressão do governo. O jornal, que tinha uma linha crítica ao presidente Recep Tayyip Erdogan, teve uma publicação favorável ao governante após a invasão. Essa ação é apenas um dentre os muitos exemplos de cerceamento da liberdade de expressão no país, que chegou a bloquear a página do chargista brasileiro Carlos Latuff (autor da charge que ilustra esse texto).

Ademais, foi aprovada, como parte do Pacote de Segurança Interna, a proibição de aglomerações e reuniões, gerando prisões, julgamentos e condenações de manifestantes pacíficos. Exemplo disso foi a violenta repressão a Parada do Orgulho Gay de 2015, em que a polícia usou bala de borracha, canhões de água e até gás lacrimogênio para dispersar a população.

Outro caso grave foi a morte de um menino de 12 anos, Nihat Kazanhan, por policiais na região sudeste do país. Segundo a Anistia Internacional, fontes em vídeo mostram crianças jogando pedras nas autoridades e, em outra gravação, um policial disparando contra um menino. Nessa mesma região, o governo implantou toques de recolher para os moradores, em que as pessoas ficavam privadas do acesso à água, à eletricidade e às comunicações.

 

Por tudo isso, é necessário considerar a Turquia nos seus estudos para o vestibular.

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