Variação Linguística no ENEM

 

Entre todas as questões de Língua Portuguesa cobradas no ENEM todos os anos, 30% delas, pelo menos, tratam do tema “variação linguística”. Já deu pra perceber que é um tema bem importante, né? Então, cola com a gente e vem entender do que se trata 😉

Variação linguística consiste na forma particular como cada grupo social se expressa por meio da língua que, por ser viva, encontra-se em constante mudança. Sendo o Brasil um país com um território nacional imenso, formado por diferentes povos e culturas e com diferenças socioeconômicas bem diversas é de se imaginar que a língua, reflexo da sociedade, tenha marcas que expressem tais características sociais.

De acordo com o fator motivador das variações linguísticas, podemos classifica-las em: variação diatópica, diastrática ou diafásica.

  • A variação diatópica se dá por diferenças regionais (cidade, estado, etc.) e manifesta-se na fonética (exemplo: a pronúncia do fonema /r/ da palavra ‘porta’ por um carioca, por um paulistano e por um morador do interior de São Paulo.), no léxico (exemplo: o termo ‘mandioca’ no Sudeste corresponde à ‘macaxeira’ no Nordeste) e na estrutura sintática das orações (exemplo: tu já brincaste? – estrutura comum em falantes do Sul do país), você já brincou? – estrutura comum em falantes de São Paulo);
  • A variação diastrática, por sua vez, caracteriza-se pelas variações que ocorrem de um grupo social para outro, que levam em conta questões como faixa etária, profissão, estrato social, etc. Como exemplo, cita-se o uso das gírias, que caracterizam a fala de jovens, ou ainda, vocábulos como ‘vrido’ ou ‘brusa’ que sugerem que os falantes possuem baixo grau de letramento;
  • A variação diafásica, por fim, corresponde à adequação do uso da língua aos diferentes contextos comunicativos. Em uma conversa informal com amigos em um bar não é necessário o uso de uma variante formal da língua, ao passo que uma entrevista de emprego já exige um maior grau de formalidade. Em contextos de linguagem escrita, o mesmo ocorre: uma conversa no Whats App em um grupo de amigos pode ser bem informal, já a redação exigida no vestibular deve, obrigatoriamente, seguir as normas previstas na gramática.

Uma metáfora que ilustra bem essa situação é a do tipo de roupa que escolhemos para cada compromisso que temos. Nós não usamos roupa de praia para ir a uma festa de formatura, da mesma forma que não usamos roupas de gala para passarmos uma tarde na piscina do clube. Isso se dá, porque aprendemos que devemos adequar a nossa vestimenta ao contexto em que estaremos inseridos. O mesmo deve acontecer com a nossa expressão linguística.

É importante ressaltar que os considerados “falantes inteligentes” da língua não são aqueles que dominam as inúmeras regras da Gramática e as reproduzem em todos os momentos de fala, ao contrário, os “falantes inteligentes” são aqueles que sabem adequar sua fala aos diferentes contextos comunicativos.

 

Preconceito linguístico

O preconceito linguístico é um tema que está atrelado ao estudo das variações linguísticas e que merece bastante debate. Entende-se como preconceito linguístico aquele que se manifesta diante de diferentes formas de expressão linguística.

É importante que se tenha em mente que esse tipo de preconceito é, antes de tudo, um preconceito social, haja vista que, como já dito anteriormente nesse artigo, a língua é reflexo da sociedade. Dessa forma, fazer piada com alguém que diz “Nóis vai”, ou “A gente vamos”, por exemplo, é expressar um preconceito com todo o contexto social e cultural que esse falante possui. Esses exemplos indicam que, possivelmente, o falante em questão não teve acesso a uma educação de qualidade e, assim, não teve contato com as regras de concordância da língua portuguesa.

Conseguiu entender o porquê esse tema é tão relevante? Tem um impacto direto nas relações sociais no Brasil, por isso o ENEM dar destaque a essa questão.

Esperamos que seja útil, qualquer dúvida, comente aí!

Por Thaisa Person | Co-fundadora do Dialogue, educadora e mestranda em Teorias da Adaptação e Teoria da Literatura.

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